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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Casual


É sempre bom saber que naquele dia X você terá uma folga do trabalho, ou uma horinha livre em que se pode combinar algo com os amigos, jogar conversa fora ou sair por aí. Mas é melhor ainda quando se está num dia daqueles, sem a menor expectativa de sair de casa e ver ninguém e, de repente, surge aquele convite de última hora, quase uma convocação extraordinária, que é imperdível. Eis que mais um dia comum vira um inesquecível momento.

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Eu sou verdadeiramente fascinada por essas coisas casuais... Mudar a estação do rádio e escutar aquela música que você adora e que há tempos não ouvia; Sair por aí e dar de cara com aquele amigão seu que você tinha perdido o contato; passar por um cinema e decidir que vai assistir um filme (fazia tanto isso antigamente); conhecer ma pessoa interessante num lugar inesperado (ihhh, esse daí tá meio difícil de acontecer!); ou receber a ligação de um amigo para algum programa inesperado.

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Lembro que há alguns anos isso acontecia mais frequentemente comigo, principalmente nos dias de "feira". Era quase comum estar pela faculdade e de repente decidir que, ao invés de ir embora pra casa, a gente ia esticar um pouquinho até amanhecer... Como esquecer das quintas das garotonas... Neste ano em questão, isso tornou-se quase impossível: trabalho demais; a preguiça; o sedentarismo; tudo isso contribuiu para que as minhas noites semanais fossem de ir direto pra cama dormir, no máximo algumas horas de internet. Já houve dias em que eu cheguei em casa de manhã e fui direto pro trabalho. Atualmente eu nem cogito essa idéia, só de pensar que eu vou passar o outro dia falando o tempo inteiro, em pé me dá logo um desespero de ir pra casa dormir, nem que seja por poucas horas. Esse negócio de virar 2 dias não é mais comigo, criei uma dependência muito grande da minha cama. Minha disposição e agitação se resumem ao sábado e domingo.

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Ontem foi um desses dias casuais e maravilhosos!! Estava eu dormindo no quarto da minha mãe (é que toda vez que eu fico assistindo tv lá eu acabo dormindo) e o meu celular toca com a Dayane gritando do outro lado que está tendo show do Geraldo Azevedo na Concha Acústica da UFC. Eu sabia que ia ter esse show e já estava programadíssima pra ir, mas eu pensava qu ia ser no dia seguinte... Enfim, a Dayane gritou: "pega um mototáxi e corre pra cá!". Eu fui de ônibus, mas cheguei rapidíssimo! Foi muito bom! A Dayane estava com a Evaniele por lá, depois encontramos com a Erika que estava com a Elis e ficamos todas curtindo por lá. Terminou cedinho, fomos pra casa e deu pra dormir bem de noite... Amei: música boa, lugar legal, ótimas amigas pra fazer companhia.

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O que seria dos dias monótonos sem o casual???

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O que sou?

Se sou alegre ou sou triste?
...Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...
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Fernando Pessoa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pensamentos

Coloquei uma frase no último post que me deixou pensando; escrevi que eu acho que está tarde demais para esperar que este ano ainda dê uma guinada e cedo demais pra tecer expectativas para o próximo ano...É como se eu estivesse me colocando em um meio-momento imaginário a espera de algo acontecer e me veio à cabeça as teorias do tempo lacaniano e alguma coisa de Schopenhauer. Esse ano maluco teve tantos aspectos negativos que a vontade que dá é de dar uma parada, esquecer de tudo, criar a ilusão que as coisas seguem conforme a nossa vontade para que possamos sofrer menos. Por outro lado, "vontade (ou desejo, ou a vida, ou a existência) oscila como um pêndulo entre o tédio e o sofrimento".
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A minha monografia trata sobre o sofrimento metafísico. Falo sobre todas essas ilusões que a gente cria pra encontrar a paz, e muita gente consegue. A maioria das pessos conseguem viver perfeitamente a vida sem refletir sobre ela, sem sofrer com a miséria que é o ser humano: vil, mesquinho, egoísta. Mas e quem vê que tem alguma coisa errada? Esse vai passar o resto dos seus dias como no pêndulo. O que fazer? Não desejar.. Mas quem não deseja, deseja não desejar. Então você nunca estará liberto. Como já dizia na música belíssima do Renato Russo: "tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor".
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Começei a escrever um monte de coisa que acho que ninguém além de mim entenderia, por isso apaguei. Falar de sofrimento me deixa meio exaltada. O fato é que tem momentos que eu só queria não ter que sentir, queria ser como a maioria das pessoas. Queria não ter ninguém depositando expectativas em mim; querendo que eu tenha sempre uma posição coerente. Eu, definitivamente não me importo com o que as pessoas pensam de mim, já passei dessa fase há muito tempo (embora eu tenha problemas em ser questionada); a minha solução pra isso é que eu sempre me achei melhor e mais inteligente que as outras pessoas (e, realmente, eu acredito que isso seja verdade). Eu me importo é com o que as pessoas que eu gosto esperam de mim! Eu sou professora e por isso tem um monte de crianças que me têm como referência, convivo com pessoas que acreditam em mim, tenho uma sobrinha que eu pretendo educar para ser uma menina honesta, tenho uma mãe que, embora eu ache que ela me explora (rsrs), tem coisas que ela só pode contar comigo. Com essas pessoas que eu me preocupo e por essas pessoas que eu vejo que não teria como eu ser de outro jeito.
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Essa discussão rende muito ainda... Vou pensar essa noite com os meus pensamentos a mil, afinal são essas inquietações que dão sentido a qualquer coisa que eu faça.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Outubro??? Já?

Gente, estamos a 2 meses do fim do ano! Eu, pelo menos, sempre acabo criando uma expectativa que o fim do ano é uma coisa que te traz calma, alegria... E tem todas aquelas festas; e a família começa a decidir em qual casa festejaremos; e os meus amigos se organizam pra fazer uma confraternização (bem ao nosso estilo); e escolhemos um lugar bacana pra passarmos o reveillon juntos; e vamos ao supermercado encher milhares de carrinhos e se entupir de comida gostosa; e tem toda aquela lista de presentes que a gente compra e que a gente ganha. Bom, definitivamente, este ano é diferente dos outros. Eu não vejo a hora de entrar em férias, é verdade, mas eu queria ter mais tempo...
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Eu tenho a impressão que esse ano aconteceu coisa demais e tão rápido que não deu tempo de eu processar. Esse foi o ano das confusões: algumas boas (poucas) e grande maioria ruim... Teve confusão no carnaval; teve confusão no meu aniversário; teve confusão no trabalho; tem a confusão da formatura, que é a mais desgastante de todas. Brigas nem se fala... Briguei com minha irmã, com algumas amigas, com a minha mãe, com outras pessoas. Houve a briga dos outros que me afetaram diretamente. Esse ano foi de um desequilíbrio que eu nunca poderia imaginar. Tem horas que eu penso que ano devia ter um pouco mais de tempo pra eu poder organizar algumas coisas, pra quando chegar dezembro a gente possa comemorar em paz. Fazer o, já tradicional, pós-Natal na casa do Luis: depois de passar a ceia com cada família a gente junta os restos das comidas e leva tudo pra casa do Luis pra comer e beber até de manhã.
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Agora eu tô meio perdida... Acho que já esta tarde pra esperar que este ano ainda dê uma guinada, a coisa ta tão ruim que até os EUA entraram em crise... Ao mesmo tempo, ainda tá cedo demais pra começar a tecer expectativas pro próximo ano. Mas, como já diria o meu ídolo Chico "a gente vai levando"!
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Pra terminar, amanhã é aniversário da Elvira. Como eu não tenho a menor criatividade de dar presente comprei algumas coisas de mulherzinha pra dar pra ela. Queria comprar alguma roupa de frio ou algo do gênero já que ela ta viajando pra caramba, mas não tive nem tempo nem disposição de ir pra shopping. Ele me deu um livro massa da Maria Adelaide Amaral (que deu origem à serie da Globo "Queridos amigos"), que até hoje eu não terminei de ler... Desculpa amiga, prometo que assim que eu terminar a monografia eu termino de ler o livro que você me deu! O tema da festa dela é Festa Drag: todo mundo (pelo menos as mulheres e os homosexuais) irão de drag-queen, não faço a menor idéia de como eu vou vestida, mas tudo bem.
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Na semana passada chegamos à conclusão que quando juntamos Dayane, Elvira e eu a gente perde a noção das coisas. A gente pode até ter cara de sérias e desempenharmos papéis burocráticos, mas quando nos juntamos vira uma putaria generalizada que faz com que quem conheça a nós três não nos leve a sério. Nos demos conta disso na sexta passada quando nos encontramos no comecinho da noite, mortas de cansadas do trabalho, num estúdio em que tiramos umas fotos para a formatura. Um cara que nunca tinho visto a gente ficou chocado com os comentários que fizemos quando começamos a escolher as fotos. Bom, deixo isso pra lá, afinal a gente nem têm se encontrado tantas vezes assim...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

25 - 12 = 13

Mais um período eleitoral chega ao seu final e Luizianne Lins será prefeita mais uma vez em nossa cidade, eleita em 1o. turno. Bom, algumas considerações devem ser feitas:
*Aquela Patrícia Sabóia demonstrou que não tem o menor preparo emocional, perde a compostura com a mair facilidade. Também não sabe interagir: fica sem ação quando é pêga de surpresa; se contradiz.
*Moroni Torgan, não preciso nem comentar...
*Renato Roseno é um lord, votei nele para governador nas últimas eleições (em que fatidicamente que ganhou foi o Cid). Tenho certeza que ele ainda vai ser eleito em algum cargo importante dentro do Ceará, mas dessa vez não votei nele por achar que a Prefeita tem de dar continuidade aos projetos que ela colocou em andamento.
*Luizianne Lins mostrou que durante esses 4 anos teve muitas falhas, viu que temos muitas dificuldades dentro de nossa cidade e ela teve que fazer algumas escolhas, algumas certas, outras erradas. Mas eu acho que ela acertou muito quanto a lutar pelas minorias, quanto a fazer um governo voltado para as classes mais baixas, estar voltada para o lado social e ser democrática. Eu acredito sim que as coisas possam melhorar se houver uma descentralização da renda onde mais pessoas tenham mais oportunidades. Ah, e eu sou completamente apaixonada pela oratória dela, lembro da primeira vez que ela ganhou e citou a Hanna Arendt no discurso.
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Como não podia deixar de ser, lá estava eu na Avenida da Univesidade, devidamente adesivada comemorando a vitória da Luizianne. Ficou estimado que 60.000 pessoas estavam lá. Fui com a Dayane e a Erika. Quando a gente chegou, o trio tava tocando umas músicas dos anos 80 algumas do Chico Buarque. Depois começou uma banda com forró pé-de-serra, bommmm demais. Dancei muito! Ficamos esperando a lôra discursar e ela só chegou por volta de meia noite, dessa vez citou o "compaheiro Guevara". Depois rolou o som (maravilhoso) da Dona Zefa, mas ficamos pouco tempo, infelismente a gente tem que trabalhar na segunda-feira...Cheguei em casa 1h. A Dayane falou que devia ser decretado feriado um dia após as eleições porque quem ganhou vai comemorar e que perdeu vai chorar as mágoas. Concordo plenamente!! A cara de ressaca que eu tava hoje de manhã tava triste...

sábado, 27 de setembro de 2008

Mais de Mim

Estou um pouco impressionada comigo mesma com relação à última postagem. Desde que eu comecei esse blog, foi o post que está mais próximo do que eu sou. Já houve vezes em que eu vim aqui com raiva de alguém ou chateada com alguma coisa, mas não lembro de ter vindo tão reflexiva e misteriosa. Na verdade, eu sou bem mais introspectiva e pessimista (no sentido schopenhaueriano da palavra) do que pareço aqui. Talvez seja porque aqui é um lugar em que as pessoas podem olhar abertamente e dar a sua opinião livremente, se assim quiserem. E, normalmente, eu tenho problemas em ser criticada. E outra, é bem mais fácil falar de festas, comemorações, falar dos outros do que falar de mim mesma.
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Embora eu tenha contato com várias pessoas, todo fim de semana eu saia pra alguma festa, eu sou uma pessoa muito solitária. Conto nos dedos da mão o número de pessoas que eu realmente confio. Mas não vivo incomodada com isso, muito pelo contrário, isso faz parte da minha personalidade. Esse negócio de dizer que temos que buscar a felicidade (primeira pergunta: o que é a felicidade?); que se tem que passar num concurso público pra ter uma boa estabilidade profissional (pra passar o resto da vida num emprego que só quem se dá bem é puxa-saco e com um monte de gente insuportável); tratar todo mundo bem (principalmente a FDP da sua vizinha que inferniza a vida da sua família). Impõem até que você seja magro para poder se dar bem na vida. Odeio esses tipos de clichê! Sou mal humorada, sou boçal, tenho os meus momentos de introspecção (que chegam a ser constantes) e tenho dezenas de quilos a mais. Sinceramente, do jeito que eu sou, raramente encontro uma pessoa melhor do que eu. A grande maioria das pessoas vive essa ilusão da busca de ser “perfeito”, de não ter conflitos e acabam se alienando dentro de um molde que só atraem a outro babaca.
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Mas o pior de todos os clichês é aquele que diz que para uma mulher estar feliz ela tem que estar com algum homem. Esse é forte! Eu estou há um bom tempo sem namorado e é comum que as pessoas especulem e falem dos seus namorados maravilhosos, da lista do chá de panela que está planejando, do quarto de bebê lindíssimo feito por um arquiteto, no fim, a mesma pergunta: “e aí, quando vai ser a sua vez?”. Como assim a minha vez? Quer dizer que instituíram que eu tenho que passar por isso e o meu prazo está acabando? Não tenho a ilusão de encontrar a pessoa perfeita, acho que nem quando eu era criança eu acreditava em príncipe encantado, mas encontrar uma pessoa que me agrade não é tarefa fácil. E outra, eu não estou a procura de ninguém, por mais que as pessoas não queiram aceitar eu gosto de ser sozinha. O pior, é que toda vez que eu falo isso parece discurso de mulher que não consegue arrumar nada, sou solteira por opção e não vejo nada de errado nisso.
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O assunto sobre mim vai ficar por aqui hoje. Quem sabe eu retome uma outra vez. Ou quem sabe eu continue falando das festas que é bem mais interessante... E lá se vai Setembro, foi um mês bem inspirado, o único com 6 posts. E que chegue Outubro: aniversário à fantasia da Andressa; eleições (estarei na Av. da Universidade para a vitória da Luiziane no dia 05); aniversário da Elvira, Ceará Music; muito trabalho pela frente!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Confesso

No carro com a minha cunhada numa tarde qualquer, escuto uma música que há um tempo não escutava. Não lembrava nem o nome da música, mas cheguei em casa com a vontade de escutar de novo. Ando tão viciada em rock que esqueci o poder que uma música lenta, bem cantada e nacional tem de revigorar o seu dia.
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Tinha me apaixonado pelas baterias e seu som forte e pesado. Dessa vez me rendi ao som das cordas e da voz estridente da Ana Carolina e viajei. . . Pensei no meu passado-recente ao qual não quero mais pensar. De tão linda a música, quiz que ela se parecesse comigo. E parece. Talvez eu confesse que, apesar de..., eu quero e não quero. Ou melhor, não quero; mas confesso que quiz. Confuso! Os velhos fantasmas que vêm à tona sempre nas piores horas.
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Mas não se trata de lembrar ou esquecer alguém. Essa música traz à tona algumas peculiaridades minhas que pouquíssimas pessoas conhecem. Há algo que me falta, que eu não sei o que é, e que me faz não querer mais nada, a não ser isso que me falta. Uma coisa tão minha que acho que nem se eu explicasse alguém entenderia. Só a Dayane e a Elvira! É que as nossas cabeças processam as coisas de uma maneira muito diferente da maioria das pessoas.
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Confesso

Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final
Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas, mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais
Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer
Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade, mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais.
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais
Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade, mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais.
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Ana Carolina